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Cuias de Santarém

May 28, 2016

 

A tradição do artesanato com as cuias em comunidades próximas a cidade de Santarém, no Pará, existe há mais de dois séculos e é uma herança dos índios Tupaiu, Tapajós e Munduruku. Elas já se tornaram um símbolo do estado do Pará.

 

O processo artesanal começa com a colheita do material que será utilizado para a confecção, que é o fruto da cuieira. Ele tem o miolo retirado, é fervido e, para que sejam eliminadas as imperfeições, escamas do peixe pirarucu são usadas para modelagem.

 

Em seguida, o material é tingido com uma tinta natural de cor vermelho-escuro conhecida como cumatê. Para que essa tinta seja fixada, as cuias são colocadas sobre um forro de palha e sobre elas uma mistura de cinzas e urina é espalhada. Em contato com a amônia da urina a tinta sofre um processo químico e muda para a cor preta.

 

Depois de lavada, a cuia está pronta para receber os desenhos típicos, que retratam  paisagens, fauna, flora, lendas e imaginário amazônicos. Também são feitos utilizados grafismos tapajônicos e florais, baseados em arranjos florais da faiança portuguesa. Esse trabalho é feito com tintas naturais e usando penas de galinha como pincel.  

 

Quando prontas, as cuias podem ser utilizadas para diversas finalidades como taças, fruteiras, copos, potes e também para decoração. Mas seu uso mais comum é para tomar tacacá, um caldo típico feito a base de Tucupi, que leva goma de mandioca, camarões e jambu.

 

As cuias são registradas desde 2009 pelo  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural.

 

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The tradition of crafts made with gourds in communities near the city of Santarém, Pará, has existed for over two centuries and is a heritage from the Tupaiu, Tapajós and Munduruku tribes. They have become a symbol of Pará state.

 

The craft begins with the collection of the material that will be used at the process, which is the fruit of “cuieira” tree. The core is removed and the material is boiled. To eliminate the imperfections, the fish scales of “pirarucu” are used for modeling.

 

Then, the material is dyed with a natural dark red color known as “cumatê”. To fix the ink, the bowls are placed on a straw lining and then a mixture of ash and urine is spread. In contact with ammonia from urine, the ink undergoes a chemical process and changes to black.

 

Once washed, the gourd is ready to receive the typical drawings, which portrays landscapes, fauna, flora, legends and Amazonian imagination. Indigenous graphisms and patterns based on floral arrangements of Portuguese faience are also used. This work is made with natural dyes and chicken feathers are used as brushes.

 

When ready, the bowls can be used for various purposes such as fruit bowls, cups, pots and for decoration. But the most common use is to drink tacacá, a typical broth made with Tucupi, cassava starch, shrimp and jambu.

 

The bowls are registered since 2009 by the Heritage Institute for National Artistic (IPHAN) as Cultural Heritage.

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